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Biografia

De vendedor de picolés a apresentador de TV
Traçar o perfil do repórter e apresentador do Balanço Geral, da TV Record, é mergulhar num universo de vitórias e derrotas, é conhecer um ser humano encantador e ao mesmo tempo emblemático. Natural da cidade de Crixás, região Norte de Goiás, Oloares Ferreira Pires nasceu numa família muito pobre, foi vendedor de salgados e picolés nas ruas da cidade, passou fome quando veio estudar em Goiânia e não esconde sua origem humilde. Ao mesmo que trata a todos com muita educação e esbanja simpatia Oloares Ferreira, como gosta de ser chamado, vira uma fera na defesa do cidadão.
Para conhecer um pouco da história desse crixaense reunimos seis estudantes de jornalismo e antes que a conversa fosse gravada Oloares Ferreira nos tranqüilizou dizendo que poderíamos fazer qualquer tipo de pergunta. Veja um resumo das quase cinco horas de conversa com o apresentador, que há dois anos lidera a audiência à frente do Balanço Geral.
Oloares, conta pra gente como foi sua infância?
Nasci no dia 30 de outubro de 1971, no dia do aniversário de Crixás, minha cidade natal. Quando eu nasci minha família morava na roça, numa região conhecida Cana Brava. Era muito difícil chegar à cidade e por isso foi uma parente quem fez o parto. Quando tinha uns cinco anos minha família se mudou para a cidade, meu pai continuou trabalhando na roça, pegava empreita para roçar pasto, fazer cerca de arame e até cuidar de fazendas da região. Nessa época minha mãe era lavadeira, trabalhava em casa de famílias da cidade e depois conseguiu um trabalho de porteira numa escola pública onde trabalhou até se aposentar. Minha infância foi muito pobre, não chegamos a passar fome, mas comemos muito arroz branco com molho de mamão verde e broto de abóbora. Mas éramos muito unidos. Ainda pequeno meus pais foram contratados para cuidar de uma fazenda. Eu e meu irmão mais velho fomos morar com meus avós materno na cidade. Estudávamos em escolas públicas e apesar das dificuldades confesso que era muito feliz.

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Você diz que vendeu bolo e até picolés na cidade. Como foi isso?
Ainda criança e nos horários de folga da escola eu e meus irmãos vendíamos bolos e salgados na porta de escolas e picolés nas ruas da cidade. Nessa época meus pais já haviam voltado a morar na cidade. Desde criança gostava de trabalhar e ter meu próprio dinheiro. A situação era tão crítica que as vezes eu e meus irmãos, que estudavam em horários diferentes, tínhamos que dividir o mesmo sapato e uniforme da escola. Presente de natal era coisa para rico. Era vizinho de alguns amigos que tinham melhores condições financeiras e enquanto eles tomavam refrigerante eu e meus irmãos fazíamos suco de limão que tinha no quintal e colocava Bicarbonato de Sódio que espumava e imitava um refrigerante. Nunca tive vergonha da minha situação, pelo contrário, a cada momento de dificuldade eu tinha a certeza de não ficaria acomodado. Desde criança eu sonhava com melhores condições de vida.

Ainda menor de idade você continuou trabalhando?
Sim, aos catorze anos de idade eu queria perfume e como não tinha como comprar passei a vender junto com uma tia produtos da Avon e Hermes. Assim, com a comissão, eu comprava coisas pra mim. Aos quinze anos fui trabalhar em um supermercado da cidade. Era magrinho, muito franzino mesmo. Naquela época Crixás vivia o auge do garimpo e tinha muitos veículos movidos a gás de cozinha. Minha função por um bom tempo era colocar botijões de gás na carroceria de camionetes e caminhões. Ajuda até a colocar sacos de cimento em cima de camionetes. Chegava a noite eu estava moído, com dores por todo o corpo. Já me peguei chorando várias vezes de cansaço. Um certo dia fui pego atrás de um monte de cimento chorando e o gerente me perguntou o motivo. Quando falei pra ele que não agüentava mais ele decidiu me passar para o setor de reposição de mercadorias do supermercado. Aí minha vida mudou. Não pegava muito peso, cuidava basicamente da seção de perfumaria e presentes.

Mas e depois?
Bom, sempre gostei de desafios. Se você falar que não da certo aí que eu tento fazer para provar que é possível. Um belo dia cheguei para o contador do supermercado, chamado João Pedro, e pedi uma chance no escritório. Não é que consegui a vaga na contabilidade. Fiquei vários anos nesse serviço fazendo escrita fiscal, cuidados dos contratos de trabalho e folha de pagamento dos funcionários e emitindo guias de taxas e impostos. E foi nessa época que o jornalismo surgiu na minha vida.

Como assim?
Por volta de 1989 circulava em Crixás um jornal chamado Opinião Pública, editado por Ruy Bucar e Libânia Ferreira. Lia o jornal e me apaixonei pelo negócio e aos dezoito anos decidi montar um jornal pra mim, foi então que criei o O Regional. Como não tinha experiência com vendas e administração consegui circular menos de um ano. Eu mesmo fazia as fotos, as reportagens, editava, distribuia e corria atrás de apoio e patrocínio. Infelizmente não tive apoio para tocar o projeto e acabei me endividando. Quase enlouqueci nessa época porque não tinha como pagar as dívidas do jornal. A sorte é que meu pai vendeu um lote para me ajudar. Fechei o jornal, mas o sonho estava mais vivo que nunca. Não me deixei me abater com as dificuldades. Me mudei para Campos Verdes, onde o garimpo de esmeraldas estava no auge, para tentar realizar meu sonho. Fiz um jornal chamado O Município. Circulou poucas edições. De novo, faltou dinheiro e apoio. Ninguém acreditava em mim, também pudera. Era um adolescente querendo fazer jornal. Em Campos Verdes para sobreviver apresentava concursos de miss, sorteios e bingos e até animava festas em boates da cidade. Preocupados comigo meus pais foram me buscar em Campos Verdes e me levaram de volta para Crixás.

Quando foi que você veio parar em Goiânia?
Quando voltei de Campos Verdes para Crixás fui trabalhar em um outro escritório de contabilidade e ao mesmo mantinha contato com jornais e emissoras de rádio. Fiz várias reportagens lá de Crixás para a antiga CBN Anhanguera, para os jornais O Popular e Diário da Manhã. Crixás era uma cidade muito violenta e como tinha muitos garimpeiros aconteciam crimes todos os dias. Era um prato cheio para passar reportagens para os jornais e rádios da Capital. Fui fazendo amizades dessa forma. Um belo dia houve um acidente em uma mineradora e como produtos químicos foi parar no Rio Vermelho eu liguei no Diário da Manhã e informei o ocorrido. Uma equipe do jornal foi para a cidade. Ajudei a fazer a reportagem e estreitei ainda mais meus contatos com profissionais de Goiânia. Sonhava em vir estudar em Goiânia, mas minha família não conseguia me manter na Capital. Não me abati com isso. Comprei uma bicicleta a prestação e guardei-a em casa. Quando terminei de pagar a bicicleta tomei a decisão que mudou minha vida. Vendi a bicicleta, comprei a passagem e vim para Goiânia trazendo algumas roupas e um colchão velho. Morei na casa de uma amiga por um período até que decidi ir para um quartinho alugado na Rua 227, no Setor Universitário.

Mas, afinal, como foi sua vida em Goiânia?
Com a maior cara de pau do mundo eu fui até o Diário da Manhã e procurei o Fábio Nasser, já falecido, e o jornalista Aloysio Biondi que na época era editor do jornal. Os dois falaram que não tinha vaga e o pior, como não era formado, era mais difícil ainda. Enquanto conversava com o Biondi o jornalista Batista Custódio entrou na sala e perguntou quem era eu. Contei minha história pra ele e logo ouvi um desafio: “Uma ponte caiu em Torixoréu, na divisa de Goiás com o Mato Grosso. Se você quiser eu te mando pra lá e se der conta de fazer a reportagem eu te contrato”. Antes mesmo do Batista fechar a boca eu já havia dito pra ele que iria e que o emprego era meu. Viajei na companhia do fotógrafo Marco Monteiro, fiz a reportagem, deu uma página inteira e no dia seguinte ouvi a melhor notícia: estava contratado. Fiquei no Diário da Manhã até 1997. Trabalhava e estudava ao mesmo tempo e tive a honra de trabalhar e ser aluno de Lisa França, uma das mais completas jornalistas de Goiás e que hoje se dedica a Universidade Federal de Goiás (UFG).

Mas você trabalhou mesmo em pit dog?
Trabalhei, sim. Até ser contratado no Diário da Manhã eu trabalhei como chapeiro em um pit dog na Praça Universitária. Era um bom chapeiro, fazia até aquelas maioneses caseiras com limão, ovo e óleo de soja. Por um bom período eu ficava no pit dog até as duas da manhã e ia para o quartinho que ficava ali perto. Dormia algumas horas e as sete e quinze eu já estava na escola. Não tenho vergonha de confessar que nessa época comia muito pão amanhecido com água. Mesmo quando trabalhava no Diário da Manhã eu passei fome. É que o jornal atrasava salário e sem dinheiro tinha que apelar para o pão amanhecido. Minha vida só não foi pior porque o Aloysio Biondi e o jornalista Jairo Rodrigues me emprestavam dinheiro para comer.

E a TV, quando entrou na sua vida?
Em 1997 saí do Diário da Manhã para ir trabalhar na TV Riviera, da Organização Jaime Câmara, afiliada Rede Globo. Não sabia nada de TV, tive que aprender fazendo. Apesar do salário baixo estava indo bem, mas não consegui me manter em Rio Verde, no sudoeste goiano. Além disso tive problemas com uma chefe que se irritou com um texto meu e acabei saindo da emissora. Ela disse que meu texto era horrível e que estava na profissão errada. Ao ouvir aquelas palavras era como se ela estivesse dizendo, vá em frente, você consegue. Voltei para Goiânia e fui trabalhar no Jornal Opção. O editor do jornal, Euler Belém, foi um grande professor. Me ensinou a lutar por grandes reportagens, não desistir e ir fundo para descobrir a verdade. Fiquei no Jornal Opção até 1999, quando aceitei um convite da Organização Jaime Câmara para trabalhar na TV Rio Vermelho, em Luziânia, no Entorno de Brasília. Era repórter e apresentador do bloco local do Jornal Anhanguera 2ª edição. Fiquei na emissora até o início de 2001. Nesse período tive várias matérias veiculadas na Globo Brasília e até em programas de grande audiência da época, como Jornal Hoje e Linha Direta. Ao retornar a Goiânia fui novamente contratado pelo Jornal Opção, sempre fazendo reportagens investigativas e de denúncias.

E a TV Record, quando surgiu na sua vida?
É uma história que até parece filme. Em junho de 2001 fiquei sabendo que a Record estava procurando um repórter para cobrir férias de um mês. Procurei a emissora e fui contratado depois de um teste. Fui trabalhar no extinto Goiânia Urgente, um dos programas mais conhecidos da TV goiana na época. Depois de um mês na emissora fui ficando, mudando de horário até que fui efetivado como repórter. Cheguei a fazer por um bom período a Praça do Povo, na Praça do Bandeirante. Lá foi uma escola pra mim, aprendi a entender o sofrimento das pessoas, como lidar com pessoas carentes e como resolver problemas dos outros. Ai, sim, era o verdadeiro jornalismo comunitário apesar das críticas de assistencialismo.

Quando você passou a ser apresentador na TV Record?
Aí entra a parte da minha história que parece ficção. O chefe do jornalismo na época e apresentador do Goiânia Urgente Luis Carlos Bordoni decidiu apresentar o programa direto da Praça do Bandeirante. Era uma sexta – feira do mês de maio de 2003. Só que, de forma inesperada o Bordoni abriu o programa lá da praça, disse que estava sendo perseguido politicamente e pediu demissão no ar. Logo que fez isso ele abandonou a câmera e rodaram um comercial. Eu estava no lugar certo, na hora. Estava na redação, chocado com a atitude do apresentador. Eu era repórter e tinha chegado da rua, já havia tirado o paletó e a gravata e estava esperando começar o programa para ir embora. De repente começou uma correria nos corredores da emissora. Foi quando o diretor executivo Evandro Trindade e o diretor de programação Dario Pereira entraram na redação, olharam pra mim e falaram assim: “Oloares, é você. Vai para o estúdio, você vai apresentar o Goiânia Urgente”. Eu não sabia se chorava de medo, afinal era o programa de maior prestígio da casa, ou se dizia não. Não tive escolha. O Evandro e o Dario me arrastaram para o estúdio, colocaram a gravata e o paletó em mim. Não tinha teleprompter. Eles me deram um monte de papel com as chamadas das reportagens e anunciaram que iria para o ar. Perguntei o que fazer. Eles disseram, vai, se vira.

Meus Deus, conta como foi esse primeiro programa?
Se eu disser que não vi nada, não estou mentindo não. Pensei na hora. Não vou imitar a Rachel Azeredo que meses antes tinha deixado a emissora porque foi eleita deputada estadual e nem o Bordoni que havia se demitido no ar. Vou ser eu mesmo, seja o que Deus quiser. O pior é que ele quis. Quando rodou a vinheta e voltou pra mim estava de perna aberta em formato de “V”, tremia muito. Dei boa tarde e fui chamando as reportagens. Atrás das câmeras tinha uma multidão de pessoas, colegas de trabalho, dizendo quee estava bom. Eu sabia que não estava, mas fui até o final. Quando dei boa tarde percebi que tinha feito xixi na calça de tanto nervosismo.

E depois, como conseguiu a vaga?
Na época os diretores me comunicaram que eu iria apresentar o Goiânia Urgente até ser contratado um outro apresentador. Várias semanas se passaram, a fila na emissora de candidatos ao cargo era grande, mas nada da direção confirmar o nome. Foi aí que cheguei para o diretor Evandro Trindade e disse: “Eu também vou me candidatar ao cargo. Estou no páreo”. Pensa que ousadia, eu era um repórter sem experiência na apresentação de um programa como aquele. Os dias foram passando e com meu jeito espontâneo e direto o público foi criando uma empatia comigo e a emissora acabou me confirmando no cargo. O Goiânia Urgente virou Goiás Urgente, voltou a ser Goiânia Urgente até que em 2006 a TV Record fez uma reestruturação em todo o Brasil. Um representante da Record de São Paulo assumiu a gerência de jornalismo. Nessa época passei por momentos tensos.

Porque?
Quando o novo gerente de jornalismo assumiu ele veio com a ordem de modernizar o departamento e os programas. A jornalista Rachel Azeredo foi contratada de novo para assumir o Goiânia Urgente e criaram o Goiás no Ar, às sete da manhã. Eu fui para esse programa da manhã onde fiquei por quase seis meses até que houve uma troca de gerente. Como houve queda de audiência eu voltei para o Goiânia Urgente e a Rachel Azeredo foi para o Goiás no Ar. Depois o Goiânia Urgente mudou de perfil e passou a se chamar Balanço Geral, seguindo as mudanças realizadas nas outras emissoras do grupo em todo o Brasil. E agora estamos há mais de dois anos em primeiro lugar de audiência, feliz da vida e fazendo esse jornalismo diferente.

Responda com sinceridade. Aquele jeitão agressivo e bravo é teatro ou você é daquele jeito mesmo?
Sou uma pessoa extremamente humilde, sou brincalhão e sincero com as pessoas. Não sou estrela, dou atenção a todas as pessoas que me abordam. Mas, quando pisam no meu calo ou vejo alguma injustiça aí eu viro bicho mesmo. Fico doente quando vejo uma pessoa sendo maltratada num posto de saúde ou órgão público. Me revolto com a falta de vagas em UTI, quando pessoas morrem por falta de atendimento e ficam dias nos corredores de hospitais. Aquela pessoa que vocês assistem na TV é o Oloares, não é teatro não. Aliás, nenhum apresentação consegue ficar no ar onze anos na mesma emissora se não for verdadeiro. O público não é bobo, sabe quando o cara esta fazendo espetáculo ou falando a verdade. Eu sou verdadeiro até demais. Para defender a população eu enfrento até os poderosos.

Muita gente fala que você tem pretenções políticas e vai seguir o mesmo caminho da Rachel Azeredo e do Elias Júnior, que foi seu repórter no Balanço Geral. E aí, você tem planos políticos?
De jeito nenhum. Tenho pavor de política partidária, dessa política que a gente vê aí. Não tenho planos políticos, não sou filiado a partido e nem penso em ser candidato. Não tenho estômago pra isso. Para ser político é preciso saber fazer negociatas, acordos e conchavos. Eu não consigo ser falso e nem enganar as pessoas. Por isso de zero a dez a chance de eu ser candidato é menos zero. Apesar dos políticos terem medo que eu entre para concorrer com eles. Já falaram que sou candidato por Trindade, por Aparecida e até na minha cidade natal. Pura mentira, não sou filiado a partido. Não tenho nenhum interesse nisso. Quero ser sim, porta voz da população.

Você se incomoda em ser chamado de sensacionalista?
Claro que não. Sensacionalista quer dizer alguém que causa sensação em outra pessoa. Sinto muito orgulho em fazer do jornalismo um meio para emocionar, provocar indignação, raiva e despertar a solidariedade. Então, sou sensacionalista com muito orgulho. De uma coisa ninguém pode me acusar, de mentir e enganar meu telespectador. Pelo contrário sou verdadeiro até demais. Após assistir ao Balanço Geral ninguém fica do mesmo jeito, alguma reação eu provoca nas pessoas e isso é um dom que Deus me deu.

Você prefere ser repórter ou apresentador?
Com toda a sinceridade, eu prefiro a reportagem. Adoro estar nas ruas, em contato com o povo. O dia em que for impedido de ir para as ruas fazer reportagem acho que deixarei de ser eu mesmo. Adoro a reportagem. Quem assiste minhas matérias sabem que entro de cabeça na história, entro em lugares que meus colegas tem medo de entrar, consigo informações que nem sempre a concorrência consegue. Sou habilidoso na hora de entrevistar as pessoas, consigo convencer as pessoas a gravar entrevista e a confiar em mim. No estúdio eu completo esse ciclo. Sou um dos poucos apresentadores, e isso é motivo de orgulho pra mim, que conhece Goiânia de ponta a ponta. Adoro fazer reportagem na periferia, mostrar o drama de quem mora em ruas sem asfalto, quem não consegue atendimento na rede pública de saúde ou foi vítima de injustiças. Adoro histórias de gente. Quem trabalha comigo sabe que entre uma entrevista no Palácio e uma reportagem de lama e poeira, eu prefiro a lama e a poeira. Sou porta voz da população e adoro esse título.

Você compra muita briga com autoridades. A direção da emissora não te censura não?
Você acha que se a TV Record não me apoiasse eu ainda estava no ar? Tenho muito orgulho em trabalhar faz onze anos numa emissora que dá total liberdade para os apresentadores fazerem críticas e denuncias, independente do partido ou de quem esta no poder. A Record não tem uma linha de pensamento como ocorre com a Rede Globo, por exemplo, onde todos os apresentadores são obrigados a seguir a linha ideológica da empresa. Basta ver que o Alisson Lima, do Goiás no Ar, tem uma linha de pensamento; eu, no Balanço Geral tenho outra e a Sylvie Alves e o Carlos Magno, do Goiás Record, tem outra. Nós temos liberdade para criticar de acordo com nosso ponto de vista. Ninguém chega pra gente e fala como devemos nos comportar. Isso, na minha opinião, é liberdade para trabalhar. Não vou negar que as vezes eu pego pesado e quando termina o programa eu penso que vou ser chamado a atenção. Mas, isso ainda não aconteceu não.

Você já recebeu convite para trabalhar na concorrência?
Já, sim. Diretamente fui convidado para implantar jornalismo comunitário da emissora concorrente. A princípio não iria para o vídeo não. Agora, através de outras pessoas e até colegas de trabalho, já fui consultado se toparia ir para outra emissora e mandaram me perguntar até sobre pretensão salarial. Em todos os casos eu mandei agradecer o convite ou a sondagem e disse que estou super feliz na Record e não pretendo deixar a emissora de jeito nenhum.

Outro dia um jornal de Goiânia publicou que você tem o maior salário do jornalismo goiano. Isso é verdade? Quanto você ganha?
(Risos) Não revelo meu salário nem sobre tortura, mas posso dizer que ganho bem, sim. Sou contratado pela Record Goiás e tenho um outro contrato com a Record São Paulo. Tenho participação no faturamento do Balanço Geral, através das ações de merchandising e em alguns comerciais que gravo. Se sou o maior salário da imprensa de Goiás eu não sei, também não me importo com isso não. Pra mim importa que sou valorizado pela TV Record, sou respeitado pela direção da emissora e participo desse projeto que está mudando a forma de fazer televisão em Goiás. Basta ver a concorrência está imitando a gente em tudo.

Lhe incomoda ver a concorrência copiando vocês?
Claro que não. Quando só a Record fazia reportagem de lama, buraco, poeira e falta de remédio nos postos de saúde éramos chamados de programas populares. Hoje todas as emissoras fazem isso, descobriram que estar do lado do povo dá audiência e prestígio. Até pouco tempo quando alguém ligava na concorrência para denunciar que o bairro estava cheio de buracos ouvia a seguinte frase: “Procura a Record, esse tipo de reportagem a gente não faz”. Hoje a gente mostra um problema, no dia seguinte a concorrência vai lá no mesmo local e mostra a mesma coisa e depois ainda tem a coragem de dizer que eles foram quem conseguiram resolver o problema. Quem bom que eles foram também. A Record foi a primeira emissora de Goiás a ter um repórter exclusivo para mostrar os problemas da comunidade, agora a concorrência está copiando isso. Fomos a primeira emissora a fazer projetos como o Balanço Geral Nos Bairros. Agora todos estão fazendo a mesma coisa. Ainda bem que temos uma equipe muito boa, que gosta do povo e está sempre renovando as idéias e projetos. A Record sempre sai na frente.

Qual a melhor coisa que você conquistou com o jornalismo?
Nossa, foram tantas coisas. Mas nenhuma tem um sabor tão especial quanto a casa para meus pais. Quando me mudei para Goiânia, no início dos anos noventa, a casa da minha mãe estava caindo. Ameaçava desabar sobre eles. Me lembro como se fosse hoje. Um certo dia, durante um chuva forte, olhei para as goteiras e paredes molhadas e jurei que um dia iria dar uma casa de presente para meus pais. Graças a Deus e a oportunidade que a Record me deu meus pais moram numa das melhores casas da cidade. Isso não tem preço, ver o sorriso dos meus pais. Pude ajudar meus irmãos a montar o próprio negócio.

Ficamos sabendo, através de pessoas que trabalham com você, que ajuda muita gente. Isso é verdade?
Não gosto de falar disso não. Fica parecendo que estou querendo aparecer com o que faço para meus semelhantes. Sou espiritualista, por isso acredito que devemos olhar para o próximo e praticar caridade. Digo apenas que parte do que ganho com propagandas eu faço muita gente feliz. Pronto, nada mais a dizer sobre isso. O que uma mão faz a outra não precisa ficar sabendo. Posso dizer que estou com a consciência tranqüila de que minha parte eu estou fazendo.

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